Seguidores fantasmas: por que nenhum aplicativo consegue listar os seus
A primeira sugestão do buscador para seguidores fantasmas é "app". Só que o Instagram não informa a ninguém o quanto cada seguidor interage com você, então toda lista que um aplicativo apresenta é um palpite feito com metade dos dados.
Avery BennettNo Brasil, fantasma e fake viraram a mesma palavra, e não são a mesma coisa. A confusão custa dinheiro e tempo, porque as duas coisas exigem tratamentos opostos.
- Fake é uma conta fabricada para inflar número. Nunca existiu uma pessoa ali.
- Fantasma é qualquer seguidor que não interage com você. Isso inclui robô, mas inclui também gente de verdade: quem abandonou o Instagram, quem te seguiu uma vez e mudou de interesse, e quem simplesmente lê tudo e nunca toca em nada.
O terceiro grupo é o que quebra qualquer plano de faxina, e é onde esta página começa.
Por que nenhum aplicativo consegue montar essa lista
A primeira sugestão do buscador para o assunto é literalmente "app", e vale explicar por que ele não pode funcionar antes de você instalar um.
O Instagram não informa ao dono da conta quanto cada seguidor interage com ele. Não existe essa tela no aplicativo, não existe no painel profissional, e não existe em interface nenhuma. Portanto nenhum aplicativo recebe esse dado, porque ele não é distribuído.
O que essas ferramentas fazem é deduzir. Elas olham o que é público, ou seja, quem curtiu e quem comentou nas suas últimas publicações, e classificam como fantasma todo o resto. O problema é o tamanho do resto:
- Visualização de story não é pública. Quem assiste a todos os seus stories todo dia e nunca curte uma publicação é classificado como fantasma.
- Salvamento não é público. Quem salva suas receitas para cozinhar depois é classificado como fantasma.
- Mensagem no direct não é pública. O cliente que te chama toda semana no direct é classificado como fantasma.
- Leitura passiva não deixa rastro nenhum. E é o comportamento da maior parte de qualquer audiência.
Ou seja, a lista que o aplicativo apresenta contém exatamente as pessoas que você menos deveria remover. O percentual que ele exibe com autoridade é um palpite feito com uma fração dos dados, e ele erra sempre para o mesmo lado.
Fantasma nem sempre é problema
Um pedaço da inatividade é normal e não tem cura. Contas abandonadas se acumulam com o tempo em qualquer perfil, e não há nada que você possa fazer sobre alguém que parou de usar o Instagram em 2021 e nunca apagou a conta. O Instagram também não remove essas contas, porque elas não são inautênticas: são reais e paradas.
Isso significa que a proporção de gente inativa cresce naturalmente com a idade da conta. Uma conta de oito anos tem mais fantasma que uma de oito meses, e isso não é sinal de nada errado.
Vira problema quando aparece o padrão que interessa: o número de seguidores sobe e o alcance fica parado. Aí a entrada é que está errada, e não a base antiga.
De onde vem o fantasma que dá para evitar
Quatro origens cobrem quase tudo, e três delas são coisas que a conta faz de propósito:
- Sorteio de prêmio genérico. A maior fonte no Brasil, sem concorrência. Sorteio de celular junta milhares de contas que só queriam o celular e somem no dia seguinte. Sorteio de algo que só interessa a quem gosta do seu assunto rende menos gente e nenhuma faxina depois.
- Grupos de seguir de volta. Todo mundo segue todo mundo e ninguém lê ninguém. Fabrica fantasma dos dois lados ao mesmo tempo.
- Serviço pago sem origem definida. Público entregue de qualquer lugar do mundo é, por definição, público que não entende o que você escreve.
- Uma publicação que viralizou fora do seu assunto. Essa é a inocente. Um vídeo engraçado que sai do seu nicho traz gente que veio pelo vídeo e não pela conta. Não há erro nenhum, só é preciso saber que os números das semanas seguintes vão parecer piores.
Engajamento comprado é fantasma com outro nome
Há uma medição que fecha esse raciocínio. No catálogo de serviços de Instagram, quarenta e três serviços se vendem como engajamento, e nenhum deles tem o Brasil como origem. Conferi também pelo outro lado: entre os duzentos e um serviços de Instagram com origem brasileira, nenhum é de engajamento.
O que isso quer dizer para uma conta em português: o engajamento que está à venda vem de gente que não fala a sua língua. Ela conta como seguidor, aparece no número, e nunca vai responder uma enquete, mandar uma mensagem ou comprar alguma coisa. Isso é a definição exata de seguidor fantasma, comprado de propósito e por escolha própria.
O que fazer, em ordem de utilidade
- Pare a entrada. É o único passo com efeito garantido. Troque sorteio genérico por prêmio do seu assunto, saia dos grupos de seguir de volta, encerre serviço sem origem.
- Meça alcance, não seguidores. Alcance de não seguidores é a métrica que não é inflada pelos mesmos mecanismos, e é a única que responde se a conta está crescendo de verdade.
- Remova só o que for evidente. Conta sem foto, sem publicação, seguindo milhares, em idioma sem relação nenhuma com o que você faz. Como fazer isso sem exagerar e sem entregar o seu login está em como tirar seguidores fake.
- Não remova quem só não curte. Metade dessa gente está assistindo aos seus stories em silêncio.
- Dê motivo para o silencioso aparecer. Enquete de duas opções custa um toque e revela mais gente viva do que qualquer lista de aplicativo.
Esse último item é a substituição honesta do aplicativo de fantasma: em vez de tentar descobrir quem está morto, dê ao vivo uma razão barata de levantar a mão.



