Criar um bot no Telegram de graça: até onde o grátis vai
A busca brasileira sobre criar bot no Telegram é dominada por uma palavra: grátis. Criar é realmente gratuito e leva dois minutos, mas é a segunda metade que cobra. Onde exatamente o custo aparece, o que a primeira versão precisa fazer e por que o token sozinho não basta.
Michael ChenDuas das três sugestões que o Google brasileiro devolve para "criar bot telegram" contêm a palavra grátis. Então vale começar por ela, sem rodeio.
Criar o bot é gratuito de verdade. Não existe taxa, plano nem cadastro pago. O que cobra é a segunda metade, que é manter o bot rodando em algum lugar, e mesmo essa parte tem faixa gratuita para volume baixo. Ninguém precisa pagar nada para chegar num bot que responde.
O BotFather e os dois minutos iniciais
Todo bot do Telegram nasce conversando com o @BotFather, que é um bot oficial que cria bots. O caminho é curto:
- Abra uma conversa com ele e envie
/newbot. - Escolha um nome de exibição, que pode ser qualquer coisa.
- Escolha um nome de usuário, que precisa terminar em bot e precisa estar livre.
- Receba o token.
Nesse momento o bot já existe e já pode receber mensagens. Ele só não responde nada, porque ainda não há código escutando.
Sobre o token, uma frase que vale levar a sério: ele é a senha do bot. Quem tiver o token controla o bot inteiro, sem precisar da sua conta. Não coloque em captura de tela, não mande em grupo e não deixe escrito dentro do código que você vai publicar num repositório. Se vazar, o BotFather permite gerar um novo, e o antigo para de funcionar imediatamente.
Token e chat id não são a mesma coisa
Uma das buscas mais frequentes é literalmente "token and chat id", e ela revela o tropeço mais comum de quem está começando.
O token identifica o bot. Ele responde a pergunta "quem está falando". O chat id identifica a conversa. Ele responde a pergunta "falando com quem". Um bot com token válido e sem chat id não consegue enviar nada por iniciativa própria, porque não sabe o destino.
Detalhe que economiza uma tarde: um bot não pode iniciar conversa com uma pessoa. A pessoa precisa falar com ele primeiro, ou adicioná-lo a um grupo. Isso é uma proteção contra spam e não tem contorno. Se o seu plano dependia de mandar mensagem para uma lista de gente que nunca interagiu com o bot, o plano não funciona.
Qual linguagem, e por que quase todo mundo diz Python
As sugestões de busca já respondem: Python aparece com biblioteca, tutorial, exemplo e hospedagem. O motivo é prático, as bibliotecas são maduras e há muito exemplo pronto em português e em inglês.
Se você já trabalha com JavaScript, use JavaScript, porque a barreira real é o ambiente, não a linguagem. E se você nunca programou, Python é o caminho com menos atrito, com uma ressalva honesta: mesmo o bot mais simples exige escrever e rodar código. O BotFather entrega o token, não a lógica.
O que a primeira versão precisa fazer, e só isso
A tentação é planejar tudo antes de testar qualquer coisa. Um primeiro bot útil faz três coisas:
- Responde a
/startcom uma frase curta dizendo o que ele faz. - Reconhece um punhado de palavras-chave tiradas das perguntas que você realmente recebe, não de uma lista imaginada.
- Tem uma resposta de saída para o que não reconhece, do tipo "não entendi, uma pessoa vai te responder".
Esse terceiro item importa mais do que parece. Bot que fica em silêncio diante do inesperado irrita mais que bot com poucas funções, porque o silêncio parece defeito. E vale decidir de antemão quem é avisado quando essa resposta dispara, senão as perguntas somem num vazio.
Onde o custo aparece de verdade
Código rodando no seu computador para de responder quando você fecha a tampa. Um bot que precisa estar disponível precisa morar em algum lugar ligado. As formas, sem preço porque preço muda:
- Função sem servidor com faixa gratuita. Acorda quando chega mensagem. Para um bot de respostas simples com pouco volume, costuma caber no gratuito. É onde a resposta "sim, dá para fazer de graça" se sustenta.
- Servidor virtual pequeno. Faz sentido quando o bot também precisa rodar tarefas em segundo plano, guardar dados ou manter processo vivo.
- Plataforma gerenciada de contêiner. Menos manutenção, custo maior.
O que empurra o custo para cima não é o número de usuários, é o que o bot faz entre as mensagens. Bot que só responde é barato em qualquer arranjo. Bot que consulta banco de dados, guarda arquivos ou roda rotina agendada sai da faixa gratuita rápido.
Testar sem usar a sua conta pessoal
Você vai precisar de uma segunda conta para testar do outro lado, e usar a do seu sócio ou a sua própria de outro celular é o caminho normal.
Se você precisar de uma conta separada só para teste, duas observações honestas. Um número alugado por alguns minutos é uma tentativa barata, e não uma compra de resultado: somando todos os aluguéis já feitos no site, mil novecentos e setenta e um, quatrocentos e sessenta e nove receberam código, menos de um quarto. A página de verificação por SMS é onde isso é feito, e a regra que evita perder dinheiro é liberar o número quando não chega nada, porque liberar devolve o valor e deixar expirar não devolve.
A outra: contas prontas existem na prateleira de contas de Telegram, e para teste elas costumam ser exagero. Vale mais quando você precisa de várias contas simultâneas para simular um grupo com movimento.
Antes de divulgar o bot
- Guarde o token em variável de ambiente, nunca dentro do código versionado.
- Teste
/start, as três palavras-chave principais e a resposta de saída, a partir de outra conta. - Feche o notebook e confira uma hora depois, de outro aparelho, se o bot ainda responde.
- Coloque descrição e foto pelo BotFather, para ele não parecer abandonado no meio da construção.
- Escreva o nome de quem recebe as perguntas não reconhecidas.
Uma advertência final sobre vizinhança. A busca por ganhar dinheiro com Telegram no Brasil é dominada por promessas de tarefas pagas, curtidas remuneradas e afins, quase tudo golpe. Se o seu bot vai atender clientes, mantenha a comunicação longe desse vocabulário, porque a semelhança superficial já basta para as pessoas desconfiarem.
